sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Balaieiro
Balaieiro
Um balaio e balaieiro
um balaieiro de balaio
de fertilidade
da fértil cidade
xamã e bamba de balaio grande
e maracatu
tem cajá e abacaxi
pitomba e sapoti
e algo dali
pra montar o seu balaio
que não é de cair
é de guerrear
de balaiada
de criar balaio por aí
nas voltas que o balaio der
o mestre do balaio
faz o que quiser
quando a vida inteira
dança
na cabeça
frutas do terreiro
terreiro brasileiro
quando se vira uma coisa só
balaio e balaieiro.
Alan Mendonça
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Hoje tem cordel? Tem sim senhor

A Chegada de Lampião ao inferno
José Pacheco
Um cabra de Lampião
por nome Pilão Deitado
que morreu numa trincheira
um certo tempo passado
agora pelo sertão
anda correndo visão
fazendo malassombrado.
E foi quem trouxe a notícia
que viu Lampião chegar
o inferno nesse dia
faltou pouco pra virar
incendiou-se o mercado
morreu tanto cão queimado
que faz pena até contar
Morreram a mãe Conguinha
o pai Forrobodó
cem netos de Parafuso
um cão chamado Cotó
escapuliu Boca Ensoça
e uma moleca moça
quase queimava o totó
Morreram cem negros velhos
que não trabalhavam mais
um cão chamado Traz Cá
Vira-Volta e Capataz
Tromba Suja e Bigodeira
um cão chamado Goteira
cunhado de satanás.
Vamos tratar na chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu:
Quem é você, cavalheiro?
Moleque, eu sou cangaceiro:
Lampião lhe respondeu.
Moleque, não; sou vigia
e não sou seu parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é o primeiro:
- Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.
Então esse tal vigia
que trabalha no portão
dá pisa que voa cinza
não procura distinção
o negro, escreveu não leu
o macaiba comeu
ali não se usa perdão.
O vigia disse assim:
fique fora que eu entro
vou conversar com o chefe
no gabinete do centro
por certo ele não lhe quer
mas conforme o que disser
eu levo o senhor pra dentro.
Lampião disse: vá logo
quem conversa perde hora
vá depressa e volte já
eu quero pouca demora
se não me derem ingresso
eu viro tudo asavesso
toco fogo e vou embora.
O vigia foi e disse
e satanás no salão:
saiba a vossa senhoria
que aí chegou Lampião
dizendo que quer entrar
e eu vim lhe perguntar
se dou-lhe ingresso ou não.
- Não senhor, satanás disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora!
eu já estou com vontade
de botar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.
- Lampião é um bandido
ladrão da honestidade
só vem desmoralizar
a nossa propriedade
e eu não vou procurar
sarna pra me coçar
sem haver necessidade.
Disse o vigia: patrão
a coisa vai arruinar
eu sei que ele se dana
quando não puder entrar
satanás disse: isso é nada
convide aí a negrada
e leve os que precisar
- Leve cem dúzias de negros
entre homem e mulher
vá lá na loja de ferragem
tire as armas que quiser
é bom avisar também
pra vir os negros que tem
mais compadre de Lucifer
E reuniu-se a negrada
primeiro chegou Fuchico
com o bacamarte velho
gritando por Cão de Bico
que trouxesse o Pau de Prensa
e fosse chamar Tangença
em casa de Maçarico.
E depois chegou Cambota
endireitando o boné
Formigueiro e Trupe-Zupe
e o crioulo Quelé
chegou Caé e Pacáia
Rabisca e Cordão de Saia
e foram chamar Bazé.
Veio uma diaba moça
com a calçola de meia
puxou a vara da cerca
dizendo: a coisa está feia
hoje o negócio se dana!
E gritou: êta baiana
agora a ripa vadeia!
E saiu a tropa armada
em direção do terreiro
com faca, pistola e facão
cravinote e granadeiro
uma negra também vinha
com a trempe da cozinha
e o pau de bater tempero.
Quando Lampião deu fé
da tropa negra encostada
disse: só na Abissínia
oh! tropa preta danada!
o chefe do batalhão
gritou de arma na mão;
- Toca-lhe fogo, negrada!
Nessa voz ouviu-se tiros
que só pipoca no caco
Lampião pulava tanto
que parecia um macaco
tinha um negro neste meio
que durante o tiroteio
brigou tomando tabaco.
Acabou-se o tiroteio
por falta de munição
mas o cacete batia
negro rolava no chão
pau e pedra que achavam
era o que as mãos pegavam
sacudiam em Lampião.
- Chega traz um armamento!
(assim gritava o vigia)
traz a pá de mexer doce
lasca os ganchos de caria
traz um bilro de Macau
corre, vai buscar um pau
na cerca da padaria!
Lucifer mais satanás
vieram olhar do terraço
todos contra Lampião
de cacete, faca e braço
o comandante no grito
dizia: briga bonito
negrada, chega-lhe o aço!
Lampião pôde apanhar
uma caveira de boi
sacudiu na testa dum
ele só fez dizer: oi!...
Ainda correu dez braças
e caiu enchendo as calças
mas eu não sei dizer o que foi.
Estava travada a luta
duma hora fazia
a poeira cobria tudo
negro embolava e gemia
porém Lampião ferido
ainda não tinha sido
devido a grande energia.
Lampião pegou um seixo
e rebolou-o num cão
mas o que; arrebentou
a vidraça do oitão
saiu fogo azulado
incendiou o mercado
e o armazém de algodão.
Satanás com esse incêndio
tocou no búzio chamando
corretam todos os negros
que se achavam brigando
Lampião pegou a olhar
não vendo com quem brigar
também foi se retirando.
Houve grande prejuízo
no inferno nesse dia
queimou-se todo dinheiro
que satanás possuia
queimou-se o livro de pontos
perdeu-se vinte mil contos
somente em mercadoria.
Reclamava Lucifer:
horror mais não precisa
os anos ruins de safra
agora mais esta pisa
se não houver bom inverno
tão cedo aqui no inferno
ninguém compra uma camisa.
Leitores, vou terminar
tratando de Lampião
muito embora que não possa
vou dar a explicação
no inferno não ficou
no céu também não entrou
por certo está no sertão.
Quem dúvida desta história
pensar que não foi assim
querer zombar do meu sério
não acreditando em mim
vá comprar papel moderno
escreva para o inferno
mande saber de Caim.
Fotos de pinhole - Brasil pelo buraco da agulha!
sábado, 15 de setembro de 2007
Fome de Vida - Mateus Aquino
Mateus Araripe de Aquino virou um super-herói cearense antes de partir. Seu nome merece placa, busto, estátua, nome de praça, nome de rua, ou melhor e maior, de avenida. Muito mais que tantos politiqueiros. O seu último dia de herói, dia 09 de setembro, deve ser decretado pela sociedade dia nacional de cadastro de doadores de medula óssea.
Linfoma linfoblástico é um tipo de câncer raro que necessita de transplante de medula e a chance de compatibilidade é de 1 em 100.000. Por isso é tão importe manter a campanha e o cadastro de doadores.
Para ser doador de medula óssea você deve ir ao Hemoce portando identidade com foto e CPF, ter de 18 a 55 anos e estar bem de saúde. Após o cadastro quando aparecer um paciente, sua compatibilidade será verificada. Se houver compatibilidade, outros testes sangüíneos serão necessários. Se a compatibilidade for confirmada, você será convocado para decidir a doação. Você será avaliado por um clínico e receberá informações.
HEMOCE - Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará
Av. José Bastos, 3.390, bairro Rodolfo Teófilo
(85) 3101.2296
:::Horário de funcionamento
De segunda a sexta de 7h30 às 17h
e no sábado, de 8h às 15h
Medula Óssea - É a matriz do sangue, localizada na parte interna dos ossos, semelhante ao tutano dos ossos do boi. Na medula óssea, estão as células-mãe que dão origem aos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Re-comendo!
-- Conto: A Terceira Margem do Rio
de Guimarães Rosa
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Sepulcros
Seu José Boiadeiro nem reparou na passagem do homem. Estava acordando a boiada gritando: Êh...boi! Êh...boi! Êh ...boi!
E a gente do lugar é boi sem chocalho.
Sou de Bento Pereira, sou daqui.
Me sento num tronco de carnaúba caído enrolando meu cigarro de palha e arreparo no homem que passa andando, puxando seu cavalo cansado. Seus olhos são profundos e tristes... sua cara empoeirada. Tem um chapéu na mão, sobre o peito, como rezando. Passa sem olhar pros lados.
Dona Maria de Seu Bernardo faz tapiocas no fogão de lenha e alguém chega em casa com um tejo da noite passada.
Ninguém olha para o homem cabisbaixo, andarilho. Em sua cintura... um punhal esquecido e anda como se tivesse o peso de uma lembrança. Sei... porque também ando assim.
Se me olhasse, lhe perguntaria pra onde está indo, pois anda feito bicho sem destino. Sei... porque um dia andei também. Mas parei onde nasci e onde morri várias vezes.
O homem pára na porta do cemitério e se benze. Olha por algum tempo, põe o chapéu na cabeça e prossegue. Seu João Coveiro conversa com os mortos e nem percebe.
Se continuar por esse caminho, no seu andado em desalinho, talvez encontre o mar. Muitos procuram o mar. Sei disso... porque também procurei.
O homem pára na bodega de Seu Pedro e pede um trago... e pede outro... e mais outro... e mais outro... e pede água para o seu cavalo.
– “Água é bicho raro... ainda mais para um cavalo”.
O homem disse: – “Eu pago”, pondo o punhal sobre o balcão.
Seu Pedro aperriou-se e o homem disse:
– “Calma, seu moço... num se avexe, não... guarde o punhal... num carece mais da água, não.”
Sei disso... porque um dia também tive um punhal e troquei com Deus pela água de um rio, onde me banhei em desvario e chorei minhas bestagens... no Rio Palhano que é bem ali, no dia em que vim do mar.
O homem sai em passos largos puxando seu cavalo cansado. Na outra curva da estrada, um grito e um galope.
Seu Pedro atravessa a piçarra trazendo uma garrafa e me oferece um gole. Tomo meu trago diário. Seu Pedro bebe em goles enormes e oferece para qualquer um que sofre. O cheiro da aguardente vai juntando boi e gente, e surgem casos e sepulcros. Cada qual tem sua dor.
Dez dias antes, em Olinda, Pernambuco, uma mulher foi encontrada morta e, ao seu lado, uma carta de amor.
Sei disso... porque sei.
Alan Mendonça
O nosso restaurante ficou vazio nesta quinta, com seu estandarte a meio-mastro, pois não pudemos servir o que de melhor havíamos preparado: culinária tipicamente italiana.
Hoje, portanto, estamos de volta, mas com algum pesar. Culinária, qual música, é arte - O PraTododia é feito de artistas. Arte, por si só, é uma grandeza universal, tal é o espaço reservado nos compassos orquestrados a Luciano Pavarotti.
Foi-se a voz lírica mais popular do mundo no século XX, e neste início de XXI.
Quando criança, em casa, as panelas da cozinha de minha mãe eram como caixas de som de retorno. Eu passeava pelos cômodos, cantando dentro do aço 'inox', à minha moda, o canto do tenor. "Funiculì, Funiculà, Funiculì, Funiculà...".
A última postagem que fiz no meu INTERLIVRE, há alguns dias, trouxe um vídeo com Pavarotti ao lado de seus dois parceiros, Carreras e Domingo, cantando "Manhã de Carnaval", canção brasileira. Não sei... Talvez, eu tenha estado ciente de seus padecimentos, mas o revisitei naquele texto apenas pela apreciação do canto em português. A grandiosidade já estaria inclusa.
Aqui, no PraTododia, os nossos pêsames, mas, ao mesmo tempo, nossa admiração. Neste vídeo, uma das peças líricas mais associadas à voz de Luciano Pavarotti, "Nessun Dorma" - e é uma imagem que deve estar sempre fresca na memória da música mundial. Eu poderia pintar neste texto todo o grosso sentido que é esta ida, mas sirvo este prato a gosto do(a) nosso(a) leitor(a).
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Receita do Dia? Alimentando a Luta!
A receita de hoje é uma mistura de sal, água, goma de mandioca e margarina. Tudo bem amassado dar liga. Assim é a organização comunitária, uma massa construída nas lutas coletivas pelo direito a terra e a qualidade de vida!
Sexta-feira dia 7 de setembro comemora-se a independência do Brasil! Que independência? Na mesma data a comunidade de Curral Velho, do município cearense de Acaraú, relembra a violência contra pescadores e adolescentes que negavam as fazendas de camarão em sua terra.
Essa data é para a Curral Velho um marco na luta contra os carcinicultores. Em 2004, moradores da comunidade, entre eles crianças e adolescentes, foram torturados por pistoleiros contratados pela empresa Joli Aqüicultura Ltda - produtora de camarão em cativeiro.
Nesses três anos a comunidade não esmoreceu sua luta e hoje celebra suas conquistas. Entre elas a construção do Centro Comunitário Encante do mangue – espaço coletivo para realização de oficinas, reuniões, atividades culturais e desenvolvimento do turismo comunitário. Construído dentro do mangue, ocupa um espaço simbólico – “AQUI OS CARCINICULTORES NÃO TOMAM!”
A pesca de peixes e mariscos, infelizmente, sofre com os problemas sócio-ambientais do litoral. Acaraú não consegue mais atingir a fartura de peixe pela qual ficou famosa. O que comprova a insustentabilidade das pescas industrais. Exemplo disso está na comprovada a falência da carcinicultura no Ceará. (Veja matéria: Após auge em 2003, criação de camarão declina no país. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u316434.shtml)
Portanto, para dividir com a sociedade, Curral velho convida todos para um ato em nome da luta de sua comunidade. Uma briga contra o capital que é comum a todos povos do mar. Será uma oportunidade para firmar posturas e celebrar vitórias. A programação conta com a presença da Comunidade do Cumbi e seus Calungas, também agredidos, no Aracati, pela carcinicultura.
Para recordar e saber mais:
http://www.opovo.com.br/opovo/ceara/399394.html
http://www.opovo.com.br/opovo/ceara/399393.html
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Não tem água mineral! Somente Côco!
Caros clientes,
Alguém está com sede? Sinto informar que o PratodoDia apenas fornecerá água de côco, explico o porquê!
Na próxima semana, Fortaleza sediará o 16ª Congresso Brasileiro da Indústria das Águas Minerais. Evento organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam) e que contará com o apoio despretensioso da maior empresa de envasamento de água mineral (a qual todos sabem qual é o nome e a quem pertence).
O motivo da escolha de Fortaleza para sediar o Congresso, também não foi a toa. Segundo a Abinam, dentro do crescimento apresentado pelo mercado de água mineral, cerca de 25% do mesmo é atribuído ao Nordeste, além disso, um fator que conta para a escolha de Fortaleza é a homenagem è empresa cearense de água mineral devido essa despontar como a sétima maior empresa do setor no mundo.
Durante o Congresso, os senhores das águas brasileiras irão discutir o mercado e seus lucros no setor e serão apresentados às novas tecnologias de envasamento de água mineral, além de colocar em discussão o tema: “Novas Tendências no Mercado de Águas Envasadas”.
Ainda durante o Congresso, os “donos” da água brasileira poderão festejar um crescimento de 5,6mil% acumulado nas últimas duas décadas, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e degustar a projeção, feita pela própria Abinam, de 20% de crescimento anual até o final de 2008.
Vale aqui mencionar que o crescimento no consumo de água mineral também reflete outros dados, como os níveis de consumo no exterior, entre os principais produtores temos o México, com 15,46 bilhões de litros; os Estados Unidos (11,52 bilhões de litros); Itália (produzindo 8,75 bilhões); Alemanha (8 bilhões) e França, com 6,5 bilhões de litros. Os dados, entretanto, curiosamente revelam os Americanos como fortes importadores de água mineral.
Quanto ao consumo dos Americanos, o que poderia ser considerado como um alternativa feliz às projeções feitas para o setor, traduz-se em uma triste alternativa para a Natureza, porque eis o problema: enquanto os americanos abusam do consumo de água mineral nas suas garrafinhas tipo PET, as torneiras dos americanos estão a jorrar água, que a contrário de diversas nações ou confins desse nosso planeta, apresenta uma água com perfeitas condições para consumo, ou seja, uma água digna de mineral.
Quem paga? A natureza, é claro! Levando em conta que os Americanos consomem 20 bilhões de litros de água, dividindo esse volume entre alguns copinhos de 200ml, garrafinhas de 1l e 2l e alguns garrafões de 20 litros, o pato fica para a natureza pagar.
Um dado apresentado pela edição 900 da revista Exame traz uma curiosidade histórica: em 1990, quando houve uma queda no consumo de refrigerantes pelos americanos, as grandes empresas produtoras dessas bebidas passaram a investir no setor de água mineral a fim de suprir as perdas nesse outro mercado. No entanto, o consumo deslocado para o setor de águas minerais só fez alarmar a sociedade para uma situação mais grave ainda, o consumo de água resultava no acúmulo de várias garrafinhas nos lixões, em um momento que apenas 43% do lixo nos EUA era reciclado.
Quem paga? A natureza é claro!
Voltemos ao nosso Ceará, casa da sétima maior empresa de envasamento de água mineral do mundo! Não nos deixemos enganar, pois as perspectivas de crescimento nesse setor são bastantes otimistas frente a sede de cada consumidor, mas aquilo que vem logo após a sede é bem pior, pois, apesar dos tímidos avanços na reutilização do lixo, pouco ainda tem sido feito no sentido de redirecionar as milhares de garrafinhas de água mineral!
Estejamos alerta!
Sugestão do PratodoDia: Durante o Congresso que ocorre do dia 6 ao dia 8 de setembro várias empresas do ramo de água mineral estarão presentes com stand oferecendo aos transeuntes água mineral vinda de vários locais do país. Como uma forma de protesto, leve um copo de requeijão, abra, num local próximo, uma torneira, encha o copo, e beba a água com todo sabor. Uma solução também viável é passear por entre os stands saboreando uma deliciosa água de côco.
domingo, 2 de setembro de 2007
Engasquei! Essa desceu ruim!
-- Estou meio intalada com essa! Alguém me passa aí um copinho d'agua ...
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Café
bela rosa cristalina
forma de boca matutina
cheiro das laranjas caetés
apaga a lamparina
o sol beija teu corpo menina
corpo de mulher
e cega-me a retina
conta-me uma mentira
pega minha mão
chama-me pra deitar
leva-me pro sertão
diz prum azulão
me guiar
quando eu acordar
mande-me uma carta da China
conta-me a minha sina
ensina-me a viver
quando eu acordar
encontra-me amanhã
na beira-mar de manhã
faz o meu café
leva o meu olhar.
Alan Mendonça
Refeição com gostinho de vitória

Esse é o slogan da campanha contra a venda da Companhia Vale do Rio Doce, para que o plebiscito popular [de 1 à 7 de Setembro] se torne publicamente conhecido pela nação, que sofreu as consequências da privatização no governo FHC, em 1997. Na época, vendida à preço de banana - um desconto de aproximandamente R$88 bilhões - foi avaliada por uma empresa norte-americana que superfaturou a compra e subestimou o valor de um incalculável patrimônio brasileiro.
Foi aberta uma ação judicial pelo Tribunal Regional Federal, Brasília, que anula o leilão de 97, baseada na avaliação fraudulenta da empresa . O motivo dessa decisão é reparar o enorme prejuízo causado pela venda da Vale e os danos da exploração extrativista e trabalhista da empresa. Com diversas denúncias de trabalhadores mal-remunerados, de ONGs ambientais e mobilizadores socias duramente repreendidos ao se manifestarem contra a companhia, contou ainda com a confissão do diretor financeiro da Vale, alegando que na época do leilão, o patrimônio inteiro valia em torno de R$ 92 bilhões, no entanto um banco de investimentos norte-americano avaliou a companhia em mais R$ 3 bi, sendo vendido a esse mísero preço, em parte, para uma empresa estadosunidense pertencente ao banco avalista. Ou seja, picaretagem financeira para caixa-dois das empresas privadas e do governo. Além de uma grande porcentagem das ações da Vale estar nas mãos de dois grupos ( Valepar e Litel) formados a partir dos fundos de pensão da Previ, entidade privada pertecente ao Banco do Brasil.
Uma vitória do povo, resultado de assembléias populares, reuniões em comitês políticos e sindicais, manifestações e finalmente, o alcance à justiça burocrática brasileira, que viu a ilegalidade das negociações, exepcionalmente da Vale, em torno da privatização em massa no governo de Fernando Henrique Cardoso, cuja sujeira está debaixo dos tapetes até hoje, com CPIs abafadas pelos partidos conservadores. A anulação do leilão, uma possível [re]estatização da Vale do Rio Doce através do plebiscito popular e a luta contra a contra- campanha publicitária da companhia, que ilude o telespectador pelo seu projeto sócio-ambiental megalomaníaco beneficiadora de uma mínima parcela de seus funcionários, deixando a grande maioria sem remuneração justa e degradando recursos naturais de reservas pelo extrativismo desmedido. Além do capital financeiro de lucros e investimentos serem todos privados, e estrangeiros.
Com uma campanha em prol do plebiscito ser tão restrita e mal circulada na grande mídia, não se têm informações sufucientes para todo o povo saber do que se trata e votar soberanamente, mas até onde chega a comunicação, a sã consciência dos brasileiros que participarão do plebiscito ressucitará com questões a respeito das causas e conseqüências da privatização da CVDR. As perguntas e maiores informações sobre o plebiscito estão no site oficial : http://avaleenossa.org.br/pergunta_ple.asp
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Cansados?
*vale a pena ver o comentário do Jô Soares na galeria de vídeos!
CANSEI. Grito de "guerra" e nome do movimento que levou uma parte da elite paulistana e agregados à zona sul de São Paulo num ato de protesto contra o Governo, no último dia 17. Motivo: cansaço! É, o núcleo industrial, econômico, aristocrático e célebre do Brasil está abalado pela situação em que o país se encontra: caos aéreo, crise política, ex-proletário na presidência, programas sociais assistencialistas, e todo blá-blá-blá grande-midiático. Será que é [só] por isso mesmo?! Em parte sim!
Membros da OAB, incluindo seu presidente Luís Flávio d'Urso; organizador de festas da elite paulista, João Dória Jr.; o governador mineiro Aécio Neves, pessedebista; presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo; Abert; Fiesp; ... estrelato da mídia em geral (o Xuxa, Hebe Camargo, Zezé di Camargo, Ivete Sangalo); e claro, moradores dos Jardins e afins. Todos unidos por uma causa, e nenhuma. Há uma lista discriminada de todos os apoiadores e digamos, patrocinadores, no blog do movimento. Nesse seleto grupo, uma agência publicitária participa, voluntariamente, da campanha veiculada gratuitamente nos meios de comunicação.
De declarado cunho apartidário, ouvia-se no ato, um coro forte clamando "Fora Lula" e um tímido cantarolar de "Pra não dizer que não falei de flores" a belíssima canção de um país perdido de Geraldo Vandré. Junto com ONGs e OGs (organizações governamentais), os ricos cidadãos cobravam res-pei-to e manifestavam contra a desordem da gestão aérea, no que diz respeito ao desconforto de vôos atrasados, à indignação de um governo popular que ainda tenta romper as barreiras políticas e econômicas que essa elite mantém firme a favor da desigualdade social e a vontade de aparecer na mídia como cidadãos comuns, que suam para lutar por justiça social e para pagar seus impostos. Além de protestarem contra a sempre presente corrupção de governo, nunca antes tão aprovadas e transmitidas as mais variadas CPIs, que fazem de políticos figurinhas-chave de noticiários, revistas e até revista Caras. Ai de quem fosse investigar e publicar as caixas-pretas de governos anteriores...
O que cansa é ver a hipocrisia de falsos políticos, da elite segregadora apolítica, a ignorância que fortalece a desigualdade socio-econômica, os movimentos de interesse partidário e tudo o que tem surgido para piorar a situação lamentável do país, que mal incentiva uma efetiva mudança social.
***
vide trecho de texto de Cristovam Buarque publicado no jornal O Globo de 18/8/07, transcrito no Observatório da Imprensa:
(...) Cansei, acima de tudo, da aparente impossibilidade de colocarmos juntos os cansados, que têm medo de perder seus privilégios, e os pobres, acomodados na sua falta de direitos.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Segunda-feira, vamos ao Mercado!
“Tou aqui há quarenta e três anu”, assim falou conservadamente uma das mais antigas locatárias do mercado da Aerolândia. “Eu e o Canelinha somu os mai velhu. Os outros já abandonarum ou então morreru. Sou eu e o velho Canelinha”, mais uma vez ratificou dona Nice, que advertidamente, pediu-me para não bater nenhuma foto dela.
“Já disse, não quero foto”, retrucou dona Nice ao mesmo tempo que desviava a atenção dela fazendo uma outra pergunta.
“Essa venda de carnes é da senhora?” O cheiro de carne podre era forte.
“Não não, é do Canelinha! Ele vende carne boa! Aqui a gente paga pra trabalhar. Depois que colocaram essa feira em frente ao mercado, o mercado se acabou!”
“Quer dizer que aqui não tem movimento?”
“Ter tem, mas é pouco...”
Continuei a fotografar. Apesar da ferrugem e do cheiro bastante incômodo, a luz que às duas horas da tarde entrava pelas frestas de ferro importado da Europa dava toda a graça para conseguir captar alguma imagem interessante.
“Quantas pessoas ainda têm aqui trabalhando?”
“Só umas seis! Aqui tá tudo acabado por causa da feira aí em frente. No mercado do Zé Walter foi assim!”
“Mas não há nenhuma iniciativa da prefeitura em reformar esse mercado?”
“Têm cinco firma trabalhando, mais só uma vai ficar, né?” perguntou dona Nice procurando uma resposta minha.
Continuei a fotografar enquanto dona Nice permanecia quieta na sua cadeira com assento de couro de bode, apoiada na parede, e com o velho vestido azul, com algumas rendas à altura do peito.
Um pouco perto, dona Mariana, senhora de uns quarenta anos, falava ao telefone público. Curiosa, enquanto eu ainda conversava com a mais velha locatária, ela despretensiosamente olhava, como quem querendo participar da conversa.
O clima era calmo, o local era ventilado. O que ainda rompia o som do vento era uma dúzia de homens, reunidos em duas mesas, em um trailer nas proximidades do Mercado, e um grupo de jovens, com as portas de um Gol abertas, tocando um forró de alguma banda, daqueles que costumeiramente se escuta em qualquer lugar.
Na frente do mercado, alguns pombos, todos brancos, catando sobras de alimento da feira de frutas e verduras que houve na quinta-feira passada, e um velho senhor, acredito que morador do viaduto da Base Aérea, a remecher os contêiners da Ecofor atrás de sei lá o quê!
A ligação logo terminou! Dono Mariana trocou alguns gestos com dona Nice, e logo se dirigiu para seu Box. Em frente a ele, uma precária mesa de plástico já um pouco escura, dois cadeiras de ferro típica de bar, um jornal velho por sobre a mesa e a sua dona apoiada sobre a bacanda como que esperando o próximo cliente.
“Boa tarde!”
“Boa!”
“O movimento aqui tá fraco...”, perguntei esperando uma confirmação.
“É, mas eu tenho minha clientela.”
“A senhora serve almoço?”
“Faço minhas quentinhas, sirvo as marmitas.”
“A senhora está aqui há quando tempo?”
“Desde mil novecentos e noventa oito!”
“E qual é o dia de maior movimento?”
“Nenhum!”
sábado, 25 de agosto de 2007
Água de coco gelada na beira da praia.
Ninno Amorim [foto Witon Matos]
“Balance o corpo nesse coco sem sufoco,
não tenha medo não corra
que a festa vai começar...”.
Ao som de “Rosa Cirandeira” uma roda se abriu nos jardins. Com direito a desafio de coco na ponta do pé e marcação na palma da mão. Nesta noite Marta Aurélia também subiu ao palco e deu o seu som, sua luz e seu talento.
“Responda esse coco com palma de mão
Isso é coco do norte, nunca foi baião”
Ao descer do palco, Cocos do Norte se apronta para seguir à Juazeiro do Norte. Participa da III Mostra de Música Cearense do SESC com a canção "Brasileiro" de Ninno Amorin e Alan Mendonça. Nas sextas-feiras do mês de setembro a roda de coco será na Casa das Marias. Um show com convidados especiais a cada dia. Entre os convidados Wilton Matos, Marta Aurélia, Renegados...
:::Escute as músicas
http://palcomp3.com.br/cocosdonorte/
::: Comunidade no orkut
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=31183681
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Terra Carne
Minha terra é minha carne
meu chão, um céu qualquer
mas o meu lugar
é onde minha mãe previu minhas dores
me cuspiu pro mundo
me limpou de beijo
e alumiou minha vista
antes da poeira da vida inteira.
Alan Mendonça
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
PF de Esquina faz a "diferensa"
Outras vezes, os pratos podem vir... expostos de maneiras diferentes.
Na Barraca do Betinho (Barra do Cauipe-CE), o cardápio já deixa qualquer um interessado na cozinha!
Na primeira página, as iguarias de se encher a boca d'água!

O CaranguEjo é uma delícia; servido à beira da água doce, acumulada numa espécie de barragem, de frente para o mar.

A MacaXeira também é uma especialidade da casa! Vem quentinha, a gosto! Não me perguntem como é preparada!

Claro, para não engolir a seco, o cliente pode pedir uma CERVERJA ("cerverja como ela virá gerlarda!") geladinha... ou, algo mais sofisticado... um CAPARI ("capari" uma bebida com a outra!).

Agora, qualquer dúvida sobre preço, preparo e serviço da Barraca... CONSUTA o GARÇON, patrão!!!


quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Receita do Dia? Decepar a cana...
Contrariada, Ypióca tenta intimidar para calar movimentos sociais. Em repúdio a agroindústria é realizado ato na Praça do Ferreira pela defesa do meio ambiente, dos povos indígenas e da liberdade de expressão.
Com apresentações culturais, músicas e discursos dos movimentos sociais do Ceará. Pessoas de bem manifestaram seu apoio ao professor Jeovah Meireles e ao jornalista Daniel Fonseca neste dia
Em janeiro de
A reportagem denuncia os abusos ambientais cometidos pela empresa comprometendo a Lagoa da Encantada e seu entorno. O jornalista escreveu após assistir palestra do professor Jeovah Meireles, em Fortaleza, durante seminário sobre racismo ambiental.
A notícia apenas revelou o que já era de conhecimento do IBAMA, FUNAI e até do Ministério Público Federal que, inclusive, já havia acusado a empresa de provocar danos ambientais como a eutrofização (processo desencadeado por poluição e responsável pela proliferação de algas e mortandade de peixes) e a poluição bioquímica na Lagoa.
O jornalista cearense Daniel Fonseca publicou informações relativas aos danos ambientais e ao desrespeito com que a empresa tratava o povo indígena Jenipapo-Kanindé, que vive no entorno da Encantada. Em matéria, denunciou a movimentação repressiva da Ypióca que ameaçava processar na Justiça Alemã a publicação digital feita por Nobert Suchanek. Era desejo da indústria que a matéria jornalística fosse censurada e o jornalista, punido.
A partir daí a Ypióca decidiu interpelar judicialmente o jornalista Daniel Fonseca e o professor Jeovah Meireles. Além de cometer um atentado à liberdade de expressão a empresa ainda cometeu o absurdo de negar a presença de indígenas na zona costeira cearense. Em documentos do processo judicial contra Fonseca afirma não existir a presença de indígenas no litoral cearense.
O documento emitido pela empresa contraria a posição do Ministério Público Federal, responsável, juntamente com a Funai e o Iphan, pela publicação, em 2004, do livro “Ceará, Terra da Luz, Terra dos Índios”. Publicação lançada em seminário com a presença das etnias reconhecidas (Tapeba, Tremembé, Pitaguary e Jenipapo-Kanindé) e das que estão em processo de reconhecimento (Calabaça, Potiguaras).
Os movimentos sociais escreveram uma nota de apoio às pessoas intimidadas por compreender que as atitudes da agroindústria cerceiam o direito de liberdade de imprensa e expressão. Sem esquecer o dano causado ao povo Jenipapo-Kanindé e sua Lagoa da Encantada.
Leia a nota de apoio e assine também. Basta enviar um e-mail para baima.aline@gmail.com
O clique aqui e visualize a nota:
http://www.terramar.org.br/oktiva.net/1320/nota/55053
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Em protesto esta jornalista, que já não bebe refrigerante, não beberá mais nenhum produto da Ypióca. Tomara que não patenteiem frutas e bebidas naturais...
Para saber mais:
http://www.portaldomar.org.br/
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Prato Sujo - precisamos lavar a roupa suja da cidade
Bom, quesito beleza é que não falta a beria-mar, inclusive nossas barraquinhas de praia são das mais bem estruturadas do litoral brasileiro, porém, são construções que burlam leis e consciência ambientais. Há agora, numa tentativa de reversão desse quadro de desleixo do poder público e da apropriação privada, através de inciativa do Ministério do Meio Ambiente o Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima, que será coordenado pela Prefeitura e apoiado pela SEMAM*, com o intuito de intergrar sociedade civil e órgãos governamentais num planejamento de uso e ocupação da orla de Fortaleza de forma sustentável e participativa.
Resta esperar a agenda de reuniões entre poder público e população. Fora o Plano Diretor Participativo de Fortaleza, que conta com diversas instâncias do governo municipal que deveriam estar atuando na Regulação do Uso e Ocupação do Solo; Uso e Conservação da Biodiversidade; Controle da Qualidade Ambiental; Áreas Verdes; Gestão dos Recursos Hídricos; Educação Ambiental e do Sistema Municipal de Meio Ambiente. Objetivos que fortaleceriam a administração e organização das estruturas naturais e infra-estruturas da cidade, se saísses dos incansáveis debates políticos.
Enquanto isso a especulação imobiliária assola o território praiano com pomposos, altos e luxuosos edifícios das av. Beira Mar, Abolição e adjacências, que passam por cima da legislação urbanística e ambiental, escapam da fiscalização municipal e ainda são causa e prova concretas da segregação social. A intensificação da violência nesses bairros tem sido acompanhada pela

Favelas em áreas de risco e misturadas a nobres ruas da cidade, nobres edifícios tomando a ventilação e harmonia da capital, alto acúmulo de capital que comprou importantes espaços verdes, como o "Cocó do Iguatemi" que ganhará uma sede com as mais ricas empresas e representantes comerciais, Cocó que mesmo sendo motivo de passeatas ambientalistas; vista privilegiada para apartamentos que se acumulam ao seu redor; e assunto de suposto referendo está sumindo enquanto competições capitalistas, crescimento urbano desordenado e fracas manifestações são travadas em torno de si.
Haja roupa suja, haja motivação e mãos pra lavá-las... como vamos digerir esse prato?
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*Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano
Fontes: Relatórios de debates > http://www.fortaleza.ce.gov.br/emfoco/EM_FOCO_402.htm
Sítio da Semam > http://www.semam.fortaleza.ce.gov.br/p_orla.htm
Jornal O POVO
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
83 vezes Ouro
Peço as devidas desculpas, mas venho aqui pedir a vossa atenção para uma indignação própria desse cheff: Por que o PARAPAN RIO 2007 passou desapercebido pela mídia brasileira?
Só para nos localizar, tal evento ocorrido no Rio de Janeiro teve seu encerramento nesse domingo (20/08), e o Brasil, dignamente, faturou 228 medalhas, dentre essas 83 ouros.
Como todos sabem, ou pelos menos deveriam saber, os “deficientes” que carregaram nossa bandeira surpreenderam a todos mostrando um show de EFICIÊNCIA e profissionalismo esportivo nas competições do PARAPAN RIO 2007.

E daí vem a minha dúvida, se o Brasil teve mais sucesso, por que a TV aberta, ou à cabo, jornais, rádios não deram mais espaços a essas notícias? A lógica não seria essa: mais medalhas igual a mais audiência...?
Infelizmente não vimos isso?
Isso se chama descriminação? Bem...tire as suas conclusões estimado cliente!
É imprescindível colocarmos que enquanto o PAN RIO 2007 (dos supostos atletas eficientes) contava com mais de meia dúzia de fortes patrocinadores, o PARAPAN RIO 2007 contava apenas com um patrocinador, que apesar de ser exclusivo, não tinha a capacidade de responder pelos milhões distribuídos mídia afora por essa “mais de meia dúzia” de empresas, em especial para a TV da tia Xuxa que era a proprietária das marcas referentes ao PAN Rio 2007, veicular as competições Ao Vivo, e reduzir as participações daqueles com necessidades especiais à meras matérias de dois minutos ou algumas notas cobertas no final de telejornais.
Aqui no nosso estado, no suposto jornal de “maior circulação”, não se sabe sequer o que é o PARAPAN. Nenhuma notícia foi ofertada aos leitores em seu caderno Jogada sobre esse assunto.
Isso sem fazer referência a omissão do Estado e de outros órgãos públicos que deveriam estar pensando em formas de promover políticas públicas voltadas para os portadores de necessidades especiais (desculpe-me, caso isso parece um jargão).
Retorno a minha indignação: Por que o PARAPAN RIO 2007 passou desapercebido pela mídia brasileira?
Sugestão do dia: deixe também a sua indignação no espaço para comentários!
Infância
Indo pra escola na periferia
Na alvorada os três irmãos
Indo pra escola na periferia
Era só o que se ouvia
São procurados na fotografia
Não vá pra perto da cidade
Aquela voz falava assim
Ser prisioneiro feito Passarim
Passarim perto da cidade
E antes das cinco dessa mesma tarde
Assassinados no chão de capim
O irmão mais velho lá no campo ouviu
No rádio e no telejornal
O irmão mais velho lá de longe ouviu
No seu corcel ele pegou a estrada
Bradando aos céus dizendo assim
Bradou aos céus dizendo assim
Ô injustiça ô injustiça
Por que mataram meus irmãos
Por que mataram meus três irmãos
Fizeste um falso julgamento
Por que fizeste falso julgamento
Eu vou fazer um monumento
E dentro dele o céu azul
Eu vou fazer um grande mausoléu
E dentro dele todo o céu azul
Vou acender uma fogueira
Onde os malvados queimarão
Pra iluminar meus três irmãos
Só três meninos três irmãos
Indo pra escola na periferia
O tempo já levou a estrada
A madrugada e a casa vazia"